…desejando que a plenitude de sua vida seja reformada!

Arquivo para outubro, 2012

Série “Reforma para hoje”: Sola Scriptura – Parte 2

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Sola Scriptura parte 2 (Sl 119.89 – 112; 129 – 144)

  • “Para sempre, ó Senhor, está firmada a Tua Palavra no céu. A Tua fidelidade estende-se de geração em geração; fundaste a terra, e ela permanece” (Sl 119.89, 90).

- A Palavra de Deus é eterna e imutável.

- Uma grande prova da fidelidade de Deus para com Sua Palavra é a criação e sua permanência.

- Aplicação: O versículo fala por si mesmo, mas podemos incluir que devemos nortear nossa vida sempre se baseando na Palavra de Deus. Reconheçamos a autoridade e a imutabilidade das Escrituras, e incorruptibilidade dela.

  • “Conforme os Teus juízos, assim tudo se mantém até hoje; porque ao Teu dispor estão todas as coisas” (Sl 119.91).

- Tudo é mantido pela Palavra de Deus, de acordo com a Soberana Vontade divina.

- Toda a criação está submissa à vontade soberana de Deus, é “escrava, serva” de Deus (tradução literal da palavra Ìebed).

- Aplicação: Reconheçamos que a Soberania de Deus está sobre todas as situações e ações. Quando pensamos nisso, devemos sempre ter em mente o versículo que diz: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito” (Rm 8.28).

  • “Não fosse a Tua Lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia” (Sl 119.92).

- A Palavra de Deus é a maior fonte de prazer do salmista, e por isso as angústias seculares não o tomaram.

- Aplicação: Devemos buscar termos prazer nas Escrituras, pois, confiando e tendo prazer nela, nada pode nos fazer perecer.

  • “Nunca me esquecerei dos Teus preceitos, visto que por eles me tens dado vida. Sou Teu; salva-me, pois eu busco os Teus preceitos” (Sl 119.93, 94).

- Através da Palavra de Deus que a vida é dada. NÃO É A ORIGEM, é o meio.

- O anseio e a busca pela Palavra de Deus faz com que o sentimento de necessidade da salvação acenda em nós.

- Aplicação: Devemos guardar e buscar cada vez mais as Escrituras, porque “julgais ter nelas a vida eterna” (Jo 5.39). A vida vem pela Palavra, tendo como origem a Santíssima Trindade.

  • “Os ímpios me espreitam para perder-me; mas eu atento para os Teus testemunhos” (Sl 119.95).

- O salmista vê como refúgio para todas as coisas a Palavra de Deus. Não como algo que vá impedir que o mal acontece, mas que não há mal que abale o “firme fundamento” no qual ele está fundado.

- Aplicação: Reconheçamos que não há fundamento mais resistente e firme do que a Palavra de Deus. Ela nos faz permanecermos firmes em Cristo, conhecendo a Ele de fato.

  • “Tenho visto que toda a perfeição tem seu limite; mas o Teu mandamento é ilimitado” (Sl 119.96).

- A Palavra de Deus é eterna, tanto em sua perfeição quanto em sua imutabilidade e permanência.

- Aplicação: Tenhamos isso na mente sempre, para que nunca caiamos no pecado de não crermos na autoria divina das Escrituras.

  • “Quanto amo a Tua Lei! É a minha meditação todo o dia!” (Sl 119.97).

- O amor do salmista pela Lei é muito grande.

- Por causa de tamanho amor, o salmista medita na Palavra de Deus TODO O DIA!.

- Aplicação: Devemos amar a Bíblia, e, como toda a ideia subjetiva deve desembocar numa atitude, devemos meditar nela TODO O DIA. Isso é negligenciado na atualidade, porém, voltemos à valorização da meditação diária das Escrituras, pois, uma geração que não medita nas Escrituras sempre é uma geração que não ama as Escrituras, e uma geração que não ama as Escrituras é uma geração PERDIDA.

  • “Os Teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; porque, aqueles, eu os tenho sempre comigo. Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos Teus testemunhos. Sou mais prudente que os idosos, porque guardo os Teus preceitos” (Sl 119.98 – 100).

- O salmista reconhece que a sabedoria só vem pela Palavra de Deus. Ele entende, por buscar mais as Escrituras do que os seus inimigos e seus mestres, que é mais sábio que eles.

- A sabedoria, compreensão e prudência vêm com a busca pela Palavra de Deus.

- Aplicação: Devemos buscar sempre a Palavra de Deus, reconhecendo que só a sabedoria que vem de Deus é a verdadeira sabedoria, e essa sabedoria de Deus só vem através a Palavra de Deus.

  • “De todo mau caminho desvio os pés, para observar a Tua Palavra. Não me aparto dos Teus juízos, pois Tu me ensinas” (Sl 119.101, 102).

- O salmista desvia-se dos maus caminhos para a observância da Palavra e por causa da observância da Palavra.

- Aplicação: Só conseguiremos permanecer firmes na vontade de Deus quando buscarmos e observarmos constantemente a Palavra de Deus. Ou seja, a Palavra de Deus é o meio e o objetivo das nossas atitudes.

  • “Quão doces são as Tuas Palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca” (Sl 119.103).

- O prazer pela Palavra de Deus é semelhante ao prazer que o mel nos proporciona. O salmista usa essa analogia para expor o anseio e amor que ele tem pelas Escrituras.

- Aplicação: Busquemos de Deus esse amor pela Sua Palavra, e que nada seja mais prazeroso para nós do que estudarmos ela.

  • “Por meio dos Teus preceitos, consigo entendimento; por isso, detesto todo caminho de falsidade” (Sl 119.104).

- Só por meio da Palavra de Deus, é possível ter entendimento.

- Por causa do entendimento adquirido, o pecado é detestado.

- Aplicação: Busquemos sempre entendimento nas Escrituras, porque, com ele, passarem a discernir e odiar o pecado.

  • “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e, luz para os meus caminhos” (Sl 119.105).

- A Palavra de Deus é o único guia do salmista, é o que ilumina seus caminhos, o norteia.

- Aplicação: Devemos colocar como nosso único modo de vida a Palavra de Deus. Que ela seja, de fato, a única luz nossa.

  • “Jurei e confirmei o juramento de guardar os Teus retos juízos” (Sl 119.106).

- O salmista faz a ele mesmo promessas, e a Deus, de cumprir a Palavra de Deus.

- Aplicação: Isso é bem resumido nas palavras de John MacArthur: “Proponha-se, no seu coração, não pecar. Faça um voto solene de se opor a todo pecado em sua vida. O salmista disse que: “Jurei e confirmei o juramento de guardar os teus retos juízos” (SI 119.106). A menos que você tenha esse tipo de determinação em sua vida, você facilmente se achará embaraçado pelo pecado. De fato, esse é aquele tipo de afirmação audaz e de coração zeloso que é a raiz de toda uma vida santa. Até que você faça esse tipo de compromisso com o Senhor, você batalhará pelas mesmas coisas, repetidas vezes — e será derrotado”.

  • “Estou aflitíssimo; vivifica-me, Senhor, segundo a Tua Palavra” (Sl 119.107).

- O salmista depende de Deus para que ele se sinta melhor.

- O salmista reconhece que Deus age segundo a Sua Palavra.

- Aplicação: Se estamos aflitos, deprimidos, cansados de tudo e de todos, corramos para Deus, para que nós sejamos confortados, melhorados. Onde nós buscamos Deus? Na Sua Palavra.

  • “Aceita, Senhor, a espontânea oferenda dos meus lábios e ensina-me os Teus juízos” (Sl 119.108).

- O salmista, com essa sentença, reconhece que sua oferta não é aceitável primeiramente. Ele pede a Deus que aceite a sua oferta.

- O salmista, como constantemente faz, pede para que Deus ensine os Seus juízos a ele.

- Vemos que a ligação que o salmista faz entre a aceitação da oferta com o entendimento das Escrituras resulta numa linha de raciocínio lógica: ele só vai ver se Deus aceitará a sua oferta se ela estiver de acordo com a Sua Vontade, com os “Teus juízos”.

- Aplicação: Devemos ter a humildade de reconhecer que tudo o que sai de nós é imperfeito. Precisamos pedir a Deus que aceite tudo o que nós formos dar a Ele, e necessitamos de buscar nas Escrituras (onde está registrado a Vontade de Deus) para vermos se, de fato, estamos ofertando de acordo com a Sua Vontade.

  • “Estou de contínuo em perigo de vida; todavia, não me esqueço da Tua Lei. Armam ciladas contra mim os ímpios; contudo, não me desvios dos Teus preceitos” (Sl 119.109, 110).

- Como repetidas vezes ele tem dito, nada atrapalha a retidão que o salmista mantém nas Escrituras, nem o perigo, nem as ciladas.

- Aplicação: Nada pode nos atrapalhar no nosso dia-a-dia espiritual. Nós devemos manter a disciplina, lendo as Escrituras e orando diariamente, sem cessar.

  • “Os Teus testemunhos, recebi-os por legado perpétuo, porque me constituem o prazer do coração” (Sl 119.111).

- A Palavra de Deus é o legado eterno do salmista, é a herança eterna, como a Nova Tradução da Linguagem de Hoje expressa, “a minha riqueza para sempre”.

- Creio que a expressão da NTLH já expressa a segunda parte. O prazer do coração do salmista é a Palavra de Deus.

- Aplicação: Recebamos a Palavra de Deus como nosso tesouro eterno, algo valioso, algo que nos dá alegria. Ansiemos pelas Escrituras.

  • “Induzo o coração a guardar os Teus decretos, para sempre, até o fim” (Sl 119.112).

- A palavra “induzir” (“natah”), que significa “estender, dobrar, curvar”, tem um sentido mais parecido com “dispus”. O salmista dispõe o coração à obediência da Palavra de Deus, eternamente.

- Aplicação: Peçamos a Deus que o nosso coração seja cada vez mais “curvado” à obediência à Sua Palavra.

  • “Admiráveis são os Teus testemunhos; por isso, a minha alma os observa” (Sl 119.129).

- A palavra “observa” (“natsar”) tem um significado mais parecido com “protege”. A Palavra de Deus é tão admirável, sobrenatural, que o salmista a protege, tanto de um modo a guardar dentro de si quanto o de mantê-la incorruptível, defendendo-se dos hereges.

- Aplicação: Devemos admirar a Palavra do modo como ela é digna de ser admirada, guardá-la no nosso coração, e não permitir que ela seja distorcida, de maneira nenhuma.

  • “A revelação das Tuas Palavras esclarece e dá entendimento aos simples” (Sl 119.130).

- A Palavra de Deus dá entendimento até para os tolos (significado do termo “pethiy”).

- Pode-se entender, conforme o andar do salmo, que se trata do salmista mesmo. Ele sempre pede que Deus o ensine a Sua Palavra, e depois, fala que a Palavra dá entendimento até aos tolos.

- Aplicação: Devemos reconhecer que os tolos somos (ou éramos) nós mesmos, pois, não há entendimento sem a Palavra, e, antes de termos a Palavra, somos tolos.

  • “Abro a boca e aspiro, porque anelo os Teus mandamentos” (Sl 119.131).

- É uma simples demonstração da enorme satisfação e prazer que a Palavra de Deus dá ao salmista.

- Aplicação: Como já antes dito, BUSQUEMOS O PRAZER NAS ESCRITURAS.

  • “Volta-te para mim e tem piedade de mim, segundo costumas fazer aos que amam o Teu nome” (Sl 119.132).

- O salmista pede a Deus graça, ajuda e misericórdia.

- A palavra “segundo costumas” (“mishpat”) tem o mesmo sentido quando se trata da justiça de Deus, podendo colocar aqui como “segundo está prescrito em Sua Lei”, ou “segundo a Sua justiça”. Baseando-se nisso, vemos que o salmista confia na fidelidade de Deus para com Sua Palavra, onde está prescrito que Ele abençoaria e cuidaria dos que são dEle.

- Aplicação: Busquemos ajuda no Senhor sempre, não no sentido de Ele mudar alguma situação APENAS, mas também pelo fato de Ele nos conformar com Sua Vontade, relembrando a nós que “TODAS AS COISAS COOPERAM PARA O BEM DAQUELES QUE AMAM A DEUS” (Rm 8.28).

  • “Firma os meus passos na Tua Palavra, e não me domine iniquidade alguma” (Sl 119.133).

- O salmista pede a Deus que o firme na Palavra, demonstrando, assim, uma visão monergista de santificação.

- O salmista também pede a Deus que nenhuma iniquidade o domine, reforçando a visão monergista de santificação.

- Observa-se o desejo intenso de santificação.

- Aplicação: Devemos ansiar a santificação sempre, reconhecendo que tudo parte monergisticamente de Deus.

  • “Livra-me da opressão do homem, e guardarei os Teus preceitos” (Sl 119.134).

- Um comentário de D. A. Carson nos diz muito sobre esse versículo: “Livra-me, ‘paga o preço do resgate’, assume a responsabilidade pelo custo necessário”. Vemos aqui uma incrível referência da “compra” que Cristo fez na cruz, pagando com Seu sangue.

- O salmista só irá conseguir guardar a Palavra de Deus se o próprio Deus, antes, livrá-lo da opressão do homem. Sempre, antes da santificação, há a salvação.

- Aplicação: Dependamos de Deus para tudo. Esse versículo não é uma cobrança, mas uma demonstração da realidade de que o salmista só poderia guardar a Palavra se Deus o livrar do pecado, da maldade.

  • “Faze resplandecer o rosto sobre o Teu servo e ensina-me os Teus decretos” (Sl 119.135).

- O salmista relaciona a presença de Deus (“… resplandecer o rosto sobre o Teu servo”) com o ensino da Palavra de Deus. Ou seja, só teremos a presença de Deus em conjunto com o conhecimento dEle (de Sua Revelação).

- Eu acredito que uma frase do pastor Paul Washer resume bem esse versículo, também: “Quando você fala que não quer teologia e só quer a Deus, você está dizendo que quer todos os benefícios de Deus, mas não quer conhecê-lo”.

- Busquemos sempre a presença de Deus, reconhecendo que só a teremos quando buscarmos a Palavra de Deus, sabendo que só conheceremos a Deus mediante ela, a Sua Revelação.

  • “Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a Tua Lei” (Sl 119.136).

- A tristeza pela falta de obediência dos ímpios é algo que toma conta do salmista.

- Aplicação: Não devemos ter raiva de quem não segue a Palavra de Deus, mas tristeza e compaixão, buscando sempre que conheçam a Palavra, intercedendo sempre. Isso é um mal que todos os “velhos cristãos” estão sujeitos a cair. Oremos para que nós nunca venhamos a sentir desprezo ou raiva, mas sempre amor e compaixão.

  • “Justo és, Senhor, e retos, os Teus juízos. Os Teus testemunhos, Tu os impuseste com retidão e com suma fidelidade” (Sl 119.137, 138).

- O salmista adora a justiça, fidelidade e retidão de Sua Palavra e promessas.

- Aplicação: Reconheçamos que Deus é justo, fiel e reto em tudo. Se todas as coisas acontecem submissas à soberania de Deus, reconheçamos isso sempre, em tudo o que acontece.

  • “O meu zelo me consome, porque os meus adversários se esquecem da Tua Palavra” (Sl 119.139).

- Aqui, o salmista admite que o zelo, o ardor que ele tem pela Palavra o deixa furioso quando ele vê os outros não seguindo ela.

- O importante aqui é que, quando o salmista se defronta com os inimigos, a primeira coisa que vem a sua mente é o zelo pela Palavra. Não é o medo, a coragem, o que fazer, é apenas o zelo pela Palavra.

- Aplicação: Levemos em consideração, em todas as situações, apenas o que a Palavra diz. Não é “uma ordem”, mas é uma marca de uma pessoa que ama a Deus e, consequentemente, a Sua Revelação, que é a Palavra de Deus.

  • “Puríssima é a Tua Palavra; por isso, o Teu servo a estima” (Sl 119.140).

- O salmista fica encantado com extrema pureza da Palavra (“extremamente refinada”).

- Aplicação: Encantemo-nos com o que a Bíblia tem para nós. Muitas vezes, depois de um tempo como cristãos estudiosos, temos a tendência a perder a fascinação pelo brilho das Escrituras, oremos para que Deus não permita tal loucura.

  • “Pequeno sou e desprezado; contudo, não me esqueço dos Teus preceitos” (Sl 119.141).

- O salmista assume sua insignificância, porém, não vê isso como desculpa para não seguir a Palavra de Deus.

- Aplicação: Devemos reconhecer quão insignificante somos naturalmente antes de sermos salvos e quão insignificante somos perante o mundo depois, porém, não devemos deixar isso interferir no nosso zelo pelas Escrituras. Muito pelo contrário, devemos ver tudo como um incentivo para nos achegarmos a Deus, demonstrando dependência e suficiência nEle apenas.

  • “A Tua justiça é justiça eterna, e a Tua Lei é a própria verdade” (Sl 119.142).

- Adora-se a eternidade da justiça de Deus.

- Adora-se a Lei de Deus como sendo a própria verdade, a verdade que rege todas as outras verdades.

- Aplicação: Devemos adorar a Deus pelos seus atributos, que fazem de Sua Palavra a única verdade. Reconheçamos que não há verdade que anule as Escrituras, e, tudo que anula as Escrituras não é verdade.

  • “Sobre mim vieram tribulação e angústia; todavia, os Teus mandamentos são o meu prazer” (Sl 119.143).

- Novamente, o salmista deixa bem claro que nada interfere no prazer que ele tem nas Escrituras.

- Aplicação: Não há o que adicionar, AMEMOS AS ESCRITURAS, ANSIEMOS POR ELA, que nada que aconteça na nossa vida interfira no nosso dia-a-dia com Deus, conhecendo-o mediante as Escrituras.

  • “Eterna é a justiça dos Teus testemunhos; dá-me a inteligência deles, e viverei” (Sl 119.144).

- A eternidade da justiça de Deus reveladas na Palavra dEle é lembrada.

- O salmista demonstra dependência da compreensão da Palavra de Deus para que haja vida, que lembra muito a passagem da profecia de Ezequiel sobre o vale de ossos secos (Ez 37).

CONCLUSÃO:
Não há o que adicionar. Devemos viver buscando o conhecimento de Deus, e este SÓ vem pelas Escrituras, que é Sua Revelação. Não adoramos as Escrituras, mas adoramos a Deus por elas, e reconhecemos que elas são a única fonte para o conhecimento de Deus. Que Deus nos ajude a reconhecermos a importância da Bíblia nas nossas vidas, e que nos mude cada vez mais, de acordo com a Sua Palavra e para o cumprimento da Sua Palavra.

OBS: Tudo o que eu escrevi sobre o papel das Escrituras não é possível sem que haja a ação direta do Espírito Santo.

Todos os textos bíblicos descritos aqui foram retirados da tradução revista e atualizada.

Diego Beltrame

SOLI DEO GLORIA!


Série “Reforma para hoje”: Sola Scriptura – Parte 1

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Sola Scriptura parte 1 (Sl 119.1 – 16; 25 – 40; 65 – 72)

Depois da introdução, como eu já havia exposto, irei fazer uma exposição do Salmo 119. Não irei falar muito, justamente pelo fato de a passagem já ser extensa demais, irei apenas expor a mensagem que é passada.

Vamos ver o que cada versículo (ou passagem) nos diz sobre a importância e o papel das Escrituras na nossa vida, e tentar aplicá-la à nossa vida.

Exposição do Salmo 119:

  • “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do SENHOR” (Sl 119.1).

- As Escrituras contêm o caminho que devemos seguir, as atitudes que devemos praticar, a Lei pela qual devemos obedecer e viver.

- Os que seguem a Bíblia de forma correta são bem-aventurados, felizes.

- Aplicação: Devemos estudar incessantemente as Escrituras, com o fim de conhecer a perfeita Lei de Deus, e viver de acordo com o que é prescrito. Devemos pedir a graça de Deus, para que nós vivamos de acordo com a Sua Lei.

  • “​Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração; não praticam iniquidade e andam nos seus caminhos” (Sl 119.2,3).

- Não só os que seguem a Bíblia de forma correta são bem-aventurados, mas também os que a buscam de todo o coração. “De todo o coração” significa “de um modo sincero, não hipócrita”.

- Não são apenas os que seguem o que está prescrito na Bíblia que são bem-aventurados, mas também os que não seguem o que não é prescrito (não praticam iniquidade).

- Vemos que, além de incluir os aspectos positivos do versículo 1, são adicionados aspectos negativos.

- É uma exortação de que, além de nós termos que realizar o que é prescrito, devemos deixar de realizar o que não é prescrito. É uma lembrança de que, nas Escrituras, tem mais “nãoS” do que “simS”.

- Aplicação: Devemos observar se, enquanto estamos buscando fazer boas-obras de acordo com as Escrituras, estamos deixando de fazer as más-obras, ou, de acordo com o apóstolo Paulo, as “obras de justiça”. Pode parecer uma coisa lógica não fazer o que não é prescrito e fazer o que é prescrito, porém, vemos hoje pessoas buscando fazer tudo o que é correto não querendo deixar de fazer o que não é correto.

  • “Tu ordenaste os Teus mandamentos, para que os cumpramos à risca. Tomara sejam firmes os meus passos, para que eu observe os Teus preceitos. Então, não terei de que me envergonhar, quando considerar em todos os teus mandamentos” (Sl 119.4 – 6).

- O autor das Escrituras é Deus, e o objetivo de Ele ter colocado tanto mandamentos é para que eles sejam cumpridos à risca.

- Em temor, o salmista anseia por seguir à risca os mandamentos, observando corretamente os preceitos.

- O salmista deixará de ter vergonha apenas quando cumprir, de fato, todos os mandamentos de Deus.

- Aplicação: Devemos sempre lembrar de que o autor das Escrituras é Deus, e somente Deus, e, se obedecemos ou desobedecemos algo que está prescrito nas Escrituras, nós obedecemos ou desobedecemos a Deus. Portanto, devemos ter temor a Deus, tendo a consciência de que o pecado é transgressão diretamente contra Ele. Por causa desse temor, ansiemos por permanecer firme nos preceitos divinos. Devemos sentir vergonha por pecar, sentir nojo pelo pecado, e ansiarmos por santificação.

  • “Render-te-ei graças com integridade de coração, quando tiver aprendido os teus retos juízos. Cumprirei os Teus decretos; não me desampares jamais” (Sl 119.7,8).

- Só haverá alguma prática com integridade de coração a Deus quando houver verdadeiro conhecimento das Escrituras, vindo do Espírito Santo.

- Só haverá alguma boa obra se houver conhecimento das Escrituras.

- O clamor “Não me desampares” deixa explícita a necessidade que o salmista demonstra a Deus. A obra de Deus é necessária para que o salmista entenda as Escrituras de forma correta.

- Aplicação: Devemos buscar de Deus o conhecimento das Escrituras, estudando incessantemente e orando. Devemos entender que só haverá, de fato, um conhecimento verdadeiro das Escrituras quando o Espírito Santo agir e nos ensinar. Não há revelação sem a “Revelatura” (Espírito Santo).

  • “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a Tua Palavra” (Sl 119.9).

- Não há outro meio de um jovem ser puro sem que haja a observância constante da Palavra de Deus.

- Aplicação: Devemos se somos jovens, estudar e buscar as Escrituras, orar pedindo a iluminação do Espírito Santo, para que sejamos mais puros. Sem isso, é impossível que permaneçamos fiéis a Deus.

  • “De todo o coração Te busquei; não me deixes fugir aos Teus mandamentos” (Sl 119.10).

- Mesmo buscando a Deus de todo o coração, o salmista reconhece que, sem a ação sobrenatural de Deus, ele não conseguirá permanecer firme nos mandamentos.

- Aplicação: Devemos buscar a Deus de todo o nosso coração, SIM, porém, devemos reconhecer que só o Espírito Santo pode perseverar na nossa fé. Só pela influência direta de Deus podemos praticar boas obras.

  • “Guardo no coração as Tuas palavras, para não pecar contra Ti” (Sl 119.11).

- Só se consegue deixar de pecar, se guardar no coração as Palavras de Deus, ou seja, guardar “a Lei de Deus na memória como se ela fosse um tesouro” (Bíblia de Estudo de Genebra).

- Aplicação: Devemos buscar memorizarmos a Palavra de Deus, para guardarmos, de fato, ela no nosso coração. Isso faz com que a memória seja o nosso melhor teólogo (como dizia os teólogos da segunda escolástica). Guardando a Palavra no nosso coração, conseguiremos nos policiar.

  • “Bendito és Tu, Senhor; ensina-me os Teus preceitos” (Sl 119.12).

- O salmista não perde tempo para adorar a Deus, mesmo falando das Escrituras.

- O salmista expôs, até agora, que necessitava aprender os preceitos de Deus, mas agora, ele redireciona a responsabilidade de ensinar os preceitos para Deus. Sem Deus, não há conhecimento das Escrituras. Por isso que o salmista clama, “ensina-me os Teus preceitos”.

- Aplicação: Devemos adorar a Deus a todo o momento, como o salmista adora a Deus em meio de um tema diferente. Devemos reconhecer que, mesmo tendo que buscar incessantemente, mediante estudo intenso e meditação, o conhecimento das Escrituras, só Deus pode nos ensinar, de fato. Sem a influência direta dEle, não há conhecimento escriturístico.

  • “Com os lábios tenho narrado todos os juízos da tua boca” (Sl 119.13).

- O salmista conserva a prática de pregação constante.

- Aplicação: Devemos ter em mente que se não pregamos a Palavra, estamos totalmente desconexos com a verdade pela qual nós vivemos. O “viver” a Palavra inclui expor ela, sempre, não de vez em quando. Oremos para que nós cultivemos um desejo e prática constantes de evangelização e pregação.

  • “Mais me regozijo com o caminho dos Teus testemunhos do que com todas as riquezas” (Sl 119.14)

- O salmista deixa bem claro que a única satisfação dele é para com a Palavra de Deus. Para deixar isso mais intenso no salmo, o salmista mostra que se alegra mais com a Palavra do que com TODAS as riquezas.

- Aplicação: Devemos entender que nenhuma benção material é mais importante do que a Verdade. Se observarmos como recebemos a benção da salvação, reconheceremos que a Palavra é um bem mais precioso do que qualquer bem material existente. Oremos para que o valor dado à Palavra de Deus seja adequado.

  • “Meditarei nos Teus preceitos e às Tuas veredas terei respeito. Terei prazer nos Teus decretos; não me esquecerei da Tua Palavra” (Sl 119.15,16).

- O salmista promete meditar, respeitar, se alegrar e se lembrar da Palavra de Deus sempre.

- A meditação nada mais é do que estudar ela constantemente. Ter um momento em que a única coisa na nossa mente seja a Palavra de Deus.

- Respeitar significa dar o devido valor à Palavra, amar a Palavra, desejar conhecê-la a fundo.

- Se alegrar significa se satisfazer APENAS com o conhecimento da Palavra de Deus.

- Se lembrar da Palavra significa memorizá-la. Isso acaba sendo uma necessidade para a meditação.

- Aplicação: Devemos estudar a Palavra constantemente, desejando estudá-la, amando-a, desejando conhecê-la a fundo, dando o valor que lhe é devida, buscar se satisfazer nela, e memorizá-la. A própria passagem já é uma exortação prática, falando que o que o salmista estava fazendo era o que todo o cristão deveria fazer.

  • “A minha alma está apegada ao pó; vivifica-me segundo a Tua Palavra” (Sl 119.25).

- O salmista entende a morte que habita nele.

- O salmista tem a consciência que só pode ser vivificado de acordo com a Palavra de Deus.

- Aplicação: Vemos que o homem, sem a transmissão da Palavra, está totalmente “apegado ao pó”. Temos que ter em mente isso ao pensarmos sobre evangelização. Não pode haver evangelização sem transmitir a mensagem da depravação total do homem e da necessidade de se pregar evangelho para a Salvação.

  • “Eu Te expus os meus caminhos, e Tu me valeste; ensina-me os Teus decretos. Faze-me atinar com o caminho dos Teus preceitos, e meditarei nas Tuas maravilhas” (Sl 119.26, 27).

- O salmista demonstra preocupação quanto a seus caminhos, e os expôs a Deus.

- Deus respondeu (valeste, no original Íanah, que significa “responder”) ao salmista, e por fim, o salmista pede para que Ele ensine a Palavra dEle.

- Aplicação: Devemos tirar nossa máscara para Deus, expondo o que pensamos, onde pecamos, o que precisamos melhorar, tendo a consciência de que a resposta de Deus vem mediante a Sua Palavra.

  • “A minha alma, de tristeza, verte lágrimas; fortalece-me segundo a Tua Palavra” (Sl 119.28).

- O salmista expôs a tristeza que estava dentro de seu coração a Deus.

- Pede-se fortalecimento, mas segundo a Palavra de Deus.

- Aplicação: Devemos expor a nossa situação, seja ela qual for, a Deus. Devemos entender que o nosso único fortalecimento vem da Palavra de Deus. É importante nós termos isso em mente, pois, atualmente, há uma onda de psicologia no meio do aconselhamento cristão. A PSICOLOGIA NÃO PODE SER A BASE PARA O ACONSELHAMENTO CRISTÃO, E SIM, A BÍBLIA.

  • “Afasta de mim o caminho da falsidade e favorece-me com a Tua Lei. Escolhi o caminho da fidelidade e decidi-me pelos Teus juízos” (Sl 119.29, 30).

- O salmista pede que Deus não permita que ele se aproxime da falsidade. Isso é interessante, pois expressa-se a pendência ao pecado do homem natural.

- Pede-se o favorecimento de Deus de acordo com a Lei. Isso é uma figuração, ou uma citação literal da justificação.

- Um versículo (29) desemboca no outro (30), pois, como consequência da graça de Deus de não permitir que a falsidade se aproxime do salmista e de imputar justiça nele, este escolhe seguir a Palavra de Deus. Tudo começa com a intervenção da graça de Deus.

- Aplicação: Devemos pedir a Deus que não permita que nós, seres pecadores, nos aproximemos de qualquer coisa que nos atraia ou nos lembre do pecado. Há a necessidade de termos em mente que somos totalmente dependentes do favorecimento divino, da justificação dada pela graça. Se tivermos consciência da obra de Deus na nossa vida, devemos seguir a Palavra de Deus.

  • “Aos Teus testemunhos me apego; Não permitas, Senhor, seja eu envergonhado” (Sl 119.31).

- O salmista não só obedece a Palavra de Deus, mas também se apega a ela. A palavra “apego”, nessa situação, pode significar várias coisas que tenham a ver com “colar” ou “grudar”, mas creio que, nessa passagem, seja ideal a interpretação de “unir-se a”. O salmista se torna um com a Palavra, no sentido de agir completamente de acordo com o que é prescrito nas Escrituras.

- Novamente, vemos o salmista demonstrando a incapacidade de realizar boas obras e obedecer aos mandamentos divinos sem que haja uma intervenção divina.

- Aplicação: Devemos “ser um” com a Palavra, no sentido de que façamos tudo o que está prescrito. Não devemos nos acomodar com obedecer à parte da Escritura. Porém, nunca nos esquecermos de orar a Deus, pedindo graça para que isso seja possível. Sem a graça de Deus não há obediência, não há boas obras.

  • “Percorrerei o caminho dos Teus mandamentos, quando me alegrares o coração” (Sl 119.32).

- Só haverá obediência à Palavra quando Deus agir diretamente no coração. A palavra “alegrares”, que é o termo “rachab”, significa “alargar-se, ampliar”, e pode ser usado como “aliviar-se”. Ou seja, quando Deus aliviar o coração.

- Aplicação: Depender de Deus sempre, e reconhecer que, se obedecemos a Palavra corretamente, é por causa de Deus apenas, é porque Deus realizou a obra no nosso coração antes.

  • “Ensina-me, Senhor, o caminho dos Teus decretos, e os seguirei até o fim. Dá-me entendimento, e guardarei a Tua Lei; de todo o coração a cumprirei. Guia-me pela vereda dos Teus mandamentos, pois nela me comprazo” (Sl 119.33 – 35).

- Observa-se que, eu tudo referente à obediência da Lei, o salmista depende, antes de tudo, do ensinamento, da graça do entendimento, do direcionamento de Deus.

- Aplicação: A mesma que antes, só que de um modo mais intenso e extenso. DEPENDÂMOS DE DEUS SEMPRE, e confirmemos isso com nossa vida.

  • “Inclina-me o coração aos Teus testemunhos, e não à cobiça. Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade, e vivifica-me no Teu caminho” (Sl 119.36, 37).

- É necessário que haja intervenção divina tanto na salvação quanto na santificação. Só Deus pode nos afastar do pecado, pois, se depender de nós, o pecado será constante.

- O salmista mostra que só haverá santificação quando houver inclinação dele para a Palavra de Deus.

- A Palavra de Deus é oposta ao pecado, ou seja, se nos inclinamos para a Palavra, consequentemente nos afastamos da prática do pecado.

- Aplicação: Novamente, devemos procurar sempre demonstrar dependência de Deus, tanto para sermos salvos quanto para sermos santificados. Busquemos o conhecimento das Escrituras, para não nos inclinarmos para o pecado.

  • “Confirma ao Teu servo a Tua promessa feita aos que Te temem. Afasta de mim o opróbrio, que temo, porque os Teus juízos são bons. Eis que tenho suspirado pelos Teus preceitos; vivifica-me por Tua justiça” (Sl 119.38 – 40).

- O salmista anseia pela confirmação da Palavra de Deus, mais especificamente, pelo cumprimento das promessas feitas por Deus, que são imutáveis. Essa promessa nos faz lembrar-se da promessa da redenção do Messias. Nunca nos esqueçamos disso: CRISTO É O CENTRO DE TODA A BÍBLIA.

- A desobediência da Lei é temida pelo salmista, que reconhece a perfeição da Palavra de Deus. A palavra “opróbrio” (“cherpah”) significa “reprovação”, ou seja, desobediência.

- O salmista anseia incessantemente pela obediência à Palavra de Deus, anela por ela.

- Reconhece-se que só se pode ser vivificado através da Justiça divina, ou seja, justificação.

- Aplicação: Devemos nos lembrar de que o cumprimento maior da Palavra de Deus é a redenção de Cristo por pecadores. A obediência da Palavra deve ter prioridade na nossa vida, porém, não devemos nos esquecer de repugnarmos a desobediência dela. Devemos entender que, antes de sermos justificados, necessitávamos de ser vivificados, não havia meios pelos quais nós conseguiríamos obter justiça, mas necessitávamos de ser justos para não sofrermos condenação eterna. Baseando-se nisso, entendemos que a salvação, sem a justificação proporcionada pelo sacrifício vicário de Cristo, não seria possível.

  • “Tens feito bem ao Teu servo, Senhor, segundo a Tua Palavra. Ensina-me bom juízo e conhecimento, pois creio nos Teus mandamentos. Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a Tua Palavra” (Sl 119.65 – 67).

- Reconhece-se que Deus tem feito o bem, segundo o que prometeu. Essa passagem confirma a fidelidade e imutabilidade de Deus, cumprindo, de fato, o que prometeu.

- O salmista pede mais conhecimento e sabedoria (bom juízo). Ele percebe que a “escola” em que havia aprendido mais era a aflição, e ele expõe isso, demonstrando que, não importa como, ele desejava de fato o que estava pedindo.

- Aplicação: Reconheçamos o que Deus tem feito e fez em nós, a graça, a salvação, TUDO. Não sejamos cristãos com mal de Alzheimer, sejamos agradecidos em toda a obra de Deus na nossa vida, principalmente aquelas em que nosso “eu” é atacado, e Ele é glorificado. Busquemos também cada vez mais conhecimento da Palavra de Deus, e discernimento, não importa como recebamos isso, pois, que nem o salmista, devemos reconhecer que a melhor escola para aprender algo é, muitas vezes, a aflição.

  • “Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os Teus decretos” (Sl 119.68).

- Reconhece-se a soberana bondade e benignidade de Deus.

- O salmista, para não perder a mania, deixa registrado o desejo de aprender as ordenanças divinas.

- Aplicação: Reconheçamos que Deus é bom e faz o bem em tudo. Tudo o que acontece é fruto de Deus, e Deus é bom em tudo o que faz, inclusive na condenação ao pecado. Devemos adorar a Deus em tudo, porém, nunca esquecendo que sempre temos mais para aprender, mais do que imaginamos.

  • “Os soberbos têm forjado mentiras contra mim; não obstante, eu guardo de todo o coração os Teus preceitos. Tornou-se-lhes o coração insensível, como se fosse sebo; mas eu me comprazo na Tua Lei. Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os Teus decretos” (Sl 119.69 – 71).

- Em toda a passagem é explicito que, não importa qual a situação, a Palavra de Deus continua sendo o foco do salmista.

- A aflição foi importante para que o salmista aprendesse os decretos de Deus.

- Aplicação: Nunca devemos mudar nosso anseio pelas Escrituras. Mesmo que haja algum momento difícil, o salmista nos ensina que isso só mais um motivo para agradecer, por poder aprender os decretos divinos.

  • “Para mim vale mais a Lei que procede de Tua boca do que milhares de ouro ou de prata” (Sl 119.72).

- É uma das sentenças mais incríveis da Bíblia, que falam sobre qual deveria ser o valor das Escrituras para nós.

- Aplicação: Não há muito o que falar, pois o versículo fala por si mesmo. BUSQUEMOS, AMEMOS, ANSIEMOS PELA PALAVRA DE DEUS, MAIS DO QUE OURO E PRATA.


Série “Reforma para hoje”: Sola Scriptura – Introdução

ImagemImagemNa atualidade, as igrejas são voltadas quase que em sua totalidade ao pragmatismo. O que direciona elas é o crescimento numérico, pois, isso é uma demonstração de que Deus está agindo nessa igreja, não importam os meios. Todas as campanhas, liturgia (se é que há alguma), acampamentos, retiros, festas, eventos, etc., são totalmente voltadas a atrair pessoas. A Bíblia, inclusive, serve apenas para mostrar um meio pelo qual as pessoas que são atraídas se sintam melhor ainda. Faz com que elas se sintam seguras, magicamente ricas, saudáveis, prósperas, livres de qualquer demônio, praticantes de boas obras, melhores do que os que não praticam boas obras.

Essas igrejas são o referencial para o evangelicalismo contemporâneo. Se perguntarmos para algum cristão evangélico qual é o principal objetivo da igreja, a resposta geralmente é “PESSOAS”. Sim, O MAIOR OBJETIVO DA IGREJA EVANGÉLICA CONTEMPORÂNEA SÃO AS PESSOAS. Mas bem, não iremos falar de objetivo da igreja agora.

A igreja de hoje em dia não tem norte nenhum quando se trata do modo pelo qual ela vai atrair pessoas. Não importa como, elas têm que atrair pessoas, senão, essa igreja será sinônima de “igreja morta”. Igreja morta é igreja inútil.

Meus irmãos, vocês conseguem ver o tamanho do lixo que a igreja conseguiu se enfiar? Uma das maiores batalhas da Reforma foi tirar o homem do trono, e colocar Deus, e em retribuição ao favor, a igreja contemporânea deixou tudo o que a Reforma conquistou de lado e se amontoou no lixo do antropocentrismo NOVAMENTE.

Um grande amigo e irmão meu fez um comentário muito oportuno sobre isso: “Com a ICAR o homem estava no trono, mas era o religioso.. O papa, o padre, esses mandavam. Com a Reforma isso mudou, mas hoje além de haver entre evangélicos uma idolatria a apóstolos , bispos, etc; eles tem colocados todo e qualquer “homem comum” no trono, com mensagens antropocêntricas pra arrecadar fiéis. Então no mesmo fato dá pra dizer que melhorou socialmente por trazer igualdade entre os homens (na teoria) mas que piorou no sentido de elevaram a todos em relação a Deus, como jamais devia ter sido feito” (Fernando Santos Frezza).

Devemos voltar ao “Sola Scriptura” do mesmo modo que o filho pródigo voltou correndo aos braços do pai. A “igreja” decidiu pegar o conhecimento que tinha recebido das Escrituras e usá-los do modo que ela queria, e então, está na fase agora de reconhecer TAMANHA PODRIDÃO E MISÉRIA QUE ELA SE METEU, E VOLTAR URGENTEMENTE PARA “A DIREÇÃO DA MARAVILHOSA PALAVRA DE DEUS”.

Esse é primeiro grito, o primeiro clamor desesperado da Reforma Protestante: SOLA SCRIPTURA!

Vou tentar expor resumidamente a ideia de Sola Scriptura:

Reconhece-se a autoridade das Escrituras sobre toda e qualquer controvérsia. É o referencial para toda a formulação doutrinária da igreja (ou deveria ser). A Bíblia é a revelação viva e direta de Deus, a única revelação especial de Deus.

A autoridade das Escrituras não é conferida pela igreja, mas reconhecida. Ela é intrínseca, mesmo se determinada instituição religiosa não aceita a sua autoridade, ela nunca deixará de tê-la. A igreja apenas oficializou um cânon que já era aceito.

Não foi a igreja que criou as Escrituras, mas, baseando-se nelas que esta foi criada. Uma igreja sem base nas Escrituras não é igreja.

O reconhecimento pessoal de autoridade das Escrituras vem somente através do Espírito Santo.

Depois dessa pequena introdução, postarei uma exposição do Salmo 119, o maior capítulo da Bíblia, que, coincidentemente, fala apenas das Escrituras. Tentarei, resumidamente, expor em duas partes o conteúdo desse Salmo (O conteúdo exposto será Sl 119.1 – 16; 25 – 40; 65 – 72; 89 – 112; 129 – 144). Que Deus seja glorificado!

MAS, PARA QUE A VERDADEIRA RELIGIÃO RESPLANDEÇA EM NÓS, É PRECISO QUE ELA SEJA O PONTO DE PARTIDA DA DOUTRINA CELESTE, POIS NÃO PODE PROVAR SE QUER O MAIS LEVE GOSTO DA RETA E SÃ DOUTRINA, SENÃO AQUELE QUE SE TORNAR DISCÍPULO DA ESCRITURA” (João Calvino)

Diego Beltrame

SOLI DEO GLORIA

#OutubroReforma


Condenação e salvação: de quem é a culpa?

UMA EXPOSIÇÃO DE EZEQUIEL 36.16 – 32:

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1)      O pecado é realizado pelo homem:

“Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:Filho do homem, quando a casa de Israel habitava na sua terra, então eles a contaminaram com os seus caminhos e com as suas ações. Como a imundície de uma mulher em sua separação, tal era o seu caminho diante de mim” (Ez 36.16,17)

Israel, quando habitava em sua terra, não foi fiel a Deus, sendo totalmente pecadora. No livro do profeta Jeremias, vemos isso bem explícito, com Deus profetizando horríveis maldições por causa do pecado deles, inclusive o cativeiro. Israel pecou, e o castigo veio por causa desses pecados. O povo de Israel foi totalmente culpado pelo castigo recebido posteriormente, pois eles mesmos escolheram desobedecer a Deus e seguir os caminhos pecaminosos. Como por exemplo, em Jeremias é dito: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal… Ai de ti, Jerusalém! Até quando ainda não te purificarás?”. O livro de Jeremias relata muito bem, não só a pecaminosidade geral do homem, mas a impossibilidade de essa situação se reverter humanamente falando.

Essa pecaminosidade é mais bem explicada em Rm 3.9 – 18, recitando passagens do Antigo Testamento. Citações como “não há justo, nem um sequer”, “não há quem busque a Deus”, “não há quem faça o bem, não há nem um sequer”, etc., explicam que o homem é totalmente mergulhado em seu pecado, e isso faz com que o homem seja necessariamente digno de condenação. O desfecho do Antigo Testamento nos profetas é algo totalmente incrível de se observar, pois, há dois pontos principais: a incapacidade de cumprimento pleno da Lei; a vinda do Messias. Essa tal incapacidade é muito bem resumida por Paulo em Rm 3.20: “Visto que ninguém será justificado diante dEle por obras da Lei, em razão de que pela Lei vem o pleno conhecimento do pecado”. O que quer dizer esse versículo? Que o objetivo a priori da Lei, além da profecia do Messias vindouro, era de convencer as pessoas de que elas não conseguiam cumprir a Lei em sua plenitude. Se elas não conseguiam cumprir a Lei em sua plenitude, então, elas são culpadas de toda a Lei, como diz a epístola de Tiago (Tg 2.10).

2)      O castigo pelo pecado vem de Deus:

“Derramei, pois, o meu furor sobre eles, por causa do sangue que derramaram sobre a terra, e porque a contaminaram com os seus ídolos; e os espalhei entre as nações, e foram dispersos pelas terras; conforme os seus caminhos, e conforme os seus feitos, eu os julguei” (Ez 36.18,19)

Devido ao contínuo pecado dos israelitas, a condenação era inevitável. Essa condenação viria da parte ofendida na relação entre Deus e os homens, a saber, o próprio Deus. Deus era ofendido com a desobediência do Seu povo, pois, a Lei que tinha sido instituída estava totalmente descartada da prática israelita. Deus profere horríveis condenações ao povo, inclusive que eles seriam entregues, num determinado momento, ao canibalismo.

Dessa passagem, vemos que o próprio Deus condena pecadores justamente. Os homens pecaram, e todos carecem da glória de Deus, merecendo a justa condenação, vinda do próprio Deus. Se nós conseguíssemos mensurar tamanha a intensidade da Ira de Deus contra homens pecadores, cairíamos de temor e tremor, a exemplo dos demônios. Devemos entender que a condenação que os pecadores merecem é semelhante às do povo de Israel, só que num contexto diferente. O inferno é a pior realidade para os pecadores condenados. Além de vemos isso, se torna ainda mais impactante quando reconhecemos o que é, de fato, o inferno.

O inferno nada mais é do que a revelação da Justa Ira de Deus revelada aos pecadores condenados eternamente, perante a Sua presença! Quão amedrontador é isso? Que mensagem pode ser mais ofensiva do que esta? A de que nós, como pecadores, iríamos ficar eternamente na presença de Deus, porém, não O vendo com olhos graciosos de Pai, porém, evitando vê-Lo, pois estaria com olhos de impensável Ira sobre cada um. Quando medito sobre essa realidade, sinto-me constrangido a me remoer implorando misericórdia e agradecer desesperadamente e apaixonadamente pela graça. “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo… porque o nosso Deus é fogo consumidor”.

3)      O pecado humano não tem fim:

“​Em chegando às nações para onde foram, profanaram o meu santo nome, pois deles se dizia: São estes o povo do SENHOR, porém tiveram de sair da terra dele. ​Mas tive compaixão do meu santo nome, que a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi” (Ez 36.20,21)

O povo de Israel, mesmo permanecendo em cativeiro, recebendo a condenação muito profetizada, tendo consciência de tudo isso, continuou em pecado, profanando o nome do Deus de Israel. Israel fez de tudo para que a Ira do Deus vivo se manifestasse cada vez mais claramente, porém, Deus “…suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição” (Rm 9.22). Deus tem longanimidade para com os “vasos de ira preparados para perdição”, para que o Seu propósito, decretado desde antes da fundação do mundo, se concretize. De fato, não no sentido semelhante, mas a ideia de que os fins justificam os meios de Nicolau Maquiavel é correto.

Deus, porém, observando que o homem necessitava da ajuda dEle, da influência direta dEle do resgate dEle, colocou como foco o amor a Seu nome. Pode soar um pouco egocêntrico, porém, Deus tem todo o direito de fazer tudo para a Sua glória. Deus fez e decretou tudo para que a Sua glória fosse manifesta. Deus viu que iria, sim, intervir na situação de Israel, mas não por amor ao povo de Israel ou por querer ajudar o povo, mas sim, por amor de Seu nome, pois estava sendo profanado.

4)      A salvação depende inteiramente de Deus:

“Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o SENHOR Deus: Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes.Vindicarei a santidade do meu grande nome, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio delas; as nações saberão que eu sou o SENHOR, diz o SENHOR Deus, quando eu vindicar a minha santidade perante elas.​Tomar-vos-ei de entre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra.Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. ​Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.​Livrar-vos-ei de todas as vossas imundícias; farei vir o trigo, e o multiplicarei, e não trarei fome sobre vós. Multiplicarei o fruto das árvores e a novidade do campo, para que jamais recebais o opróbrio da fome entre as nações. ​Então, vos lembrareis dos vossos maus caminhos e dos vossos feitos que não foram bons; tereis nojo de vós mesmos por causa das vossas iniquidades e das vossas abominações” (Ez 36.22 – 31)

Tudo o que Deus narra que fará a Seu povo irá ser feito por amor apenas de Seu glorioso nome. O Seu povo seria reunido novamente e retornaria para Israel, e, então, seriam purificados (“e ficareis purificados”), seriam regenerados e transformados (“dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo”), seriam convertidos (“farei que andeis nos meus estatutos”), seriam abençoados e reconhecidos como povo de Deus, de fato.

Interessante de se observar aqui é que NADA do que é dito vem da terceira pessoa, mas sim, da primeira pessoa. Quando Deus narra a transformação do homem, Ele não diz que o homem se transformaria, mas que seria transformado. EIS AQUI A CHAVE PARA DESTRUIR TODO ANTROPOCENTRISMO “CRISTÃO”, TODOS OS ERROS ARMINIANOS, TODOS AS VAGAS IDEIAS DE SALVAÇÃO GOVERNADAS PELO DECISIONISMO: DEUS TRANSFORMA VOCÊ, NÃO É VOCÊ QUE ESCOLHERÁ SER TRANSFORMADO.

Após Deus regenerar o ser humano, Ele também diz que o Seu povo teria “nojo [deles] mesmos por causa das… iniquidades e das… abominações”. Vemos aqui um relato muito importante sobre a fé e o arrependimento. Os dois não viriam antes da regeneração, mas depois. Conclui-se, então, que a fé e o arrependimento são dons dados gratuitamente por Deus. Tudo o que vemos aqui nessa passagem É GRAÇA. A regeneração, a conversão, as bênçãos, a adoção, a fé e o arrependimento… TUDO É GRAÇA DE DEUS.
Queridos irmãos, não tenham a audácia de dizer que as pessoas decidem ir a Deus, porque, naturalmente, elas nunca desejariam. Não permita que as pessoas tenham uma ideia errada de salvação, pois, muitas vezes, pessoas passam a ter a convicção de que é salva porque ela quer, não porque Deus a escolheu, e isso faz com que a pessoa se sinta salva, não sendo.

Que Deus nos dê a graça de vermos uma igreja verdadeiramente bíblica.
Que o monergismo não saia da língua dos pregadores, e que Deus seja glorificado em cada uma das sílabas recitadas por estes.

SOLI DEO GLORIA

Diego Beltrame


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